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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

LORD

Há alguns anos, minha irmã decidiu montar um grupo de dança diferente dos outros. Reuniu algumas alunas, escolheu uma música bacana e criou uma coreografia cheia de passinhos até então pouco utilizados em dança do ventre. Apresentou-se com ele pela primeira vez em um evento de nossa escola.

O sucesso foi tão grande que ela decidiu ampliar os horizontes e dois anos depois apostou em uma nova formação. Mais uma vez, aprovação total do público e outras meninas foram convocadas para a terceira formação do LORD, como ela decidiu chamar o grupo que tornaria-se a mais importante criação do Fallahi.

A idéia do nome surgiu graças a nossa paixão pelo grupo de sapateado irlandês Lord of the Dance, para nós, um exemplo de trabalho em grupo e sem sombra de dúvidas, uma das melhores companhias de dança do mundo.



Para fazer parte desse grupo, é preciso, antes de tudo, gostar dos trabalhos diferenciados que costumamos fazer na escola. Em segundo lugar, ter o mÌnimo possível de talento e força de vontade, porque ser uma simples aprendiz não basta. Além disso, È importante que todas as alunas saibam que não repetimos bailarinas: cada formação é única. Quem fez parte de uma, não fará parte de outra, exceto pelas professoras e por aquelas alunas que nos surpreendem de alguma forma. Seja pelo talento, pela disciplina, pela força de vontade ou simplesmente, por merecimento.

O grupo LORD, ao mesmo tempo que explora o lado "modernoso" da dança do ventre, ainda mantém algumas caracterÌsticas que se perderam com o passar do tempo e que aqui na escola consideramos essenciais na formação de uma bailarina. Suavidade nos movimentos de mãos, expressão sublime, afetação zero.



Conheço inúmeros grupos de dança do ventre, mas poucos são tratados com um terço do esmero que o nosso querido LORD é tratado aqui escola. E humildade! Professoras e alunas estão em pé de igualdade em todos os momentos da coreografia; não há preferidinhas e ninguém fica lá na frente "se achando". Mesmo com estilos diferentes, todas se adaptam sem traumas.

Infelizmente, ainda não foi possível participar de todos os eventos que gostaríamos. Muitas organizadoras exigem número de participantes superior a cinco e nossas formações não passam disso na maioria das vezes por uma simples questão de "controle de qualidade". Mais de oito membros exige, antes de qualquer coisa, profissionalismo.

Uma pessoa me disse que deverÌamos chamar bailarinas de fora se quiséssemos participar do evento dela porque menos de dez membros em um grupo não seria permitido. Para mim, isso não tem o menor cabimento. Não no caso do LORD. Talvez ela estivesse acostumada com as coisas feitas "nas coxas": grupos numerosos, coreografias desorganizadas, bailarinas de níveis diferentes em um mesmo grupo. Mas com um grupo como este, isso È simplesmente inaceitável.



Nosso LORD é único, por isso é tão especial. Acredito que toda escola deveria ter um grupo assim: diferente, bem coreografado, onde um dia todas as alunas teriam chance de poder participar desde que se dedicassem. Talvez essa seja uma das formas de estar sempre fazendo com que a dança não pare de evoluir sem perder qualidade.



Bju, bju

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Pré-seleção KK: eu passei!

Bom, gente, estou voltando aqui hoje não pra compartilhar minha felicidade por ter conseguido o certificado de padrão de qualidade da KK, mas para dividir com todas vocês (especialmente aquelas que pretendem fazer a prova) a experiência e contar certas coisas que ocorreram comigo durante essa jornada.

Em 2007 e 2008, fiz o curso de formação da Lulu e frequentei as aulas de nível avançado da Jade. Como todas podem imaginar, aquele é o território por onde passam pelo menos 50% das bailarinas que pretendem um dia dançar na KK ou serem aprovadas na pré. Quando enviei meu vídeo, não contei pra ninguém da turma; só minha irmã sabia e combinamos que íamos fechar o bico, afinal eu era nova lá e se não passasse ninguém nunca ficaria sabendo.

Naquele ano, quatro meninas do curso iam prestar. Três delas descobri por acaso, a outra era aluna da KK desde criança e estava muito segura de si. Tão segura que quando seu book ficou pronto, levou lá pra todo mundo ver e espalhou aos sete ventos que por estar prestando a pré as fotos deveriam estar perfeitas. Então ficou todo mundo babando em volta dela e naquele momento me senti do tamanho de uma formiguinha e querem saber porquê?

Bom, na preparação do material, temos que enviar 30 fotos profissionais. Boa parte das bailarinas fazem seu book com aquele fotógrafo famoso que cobra $$$ e o fato é que eu não tinha esse dinheiro. Tive que me virar. Fui no quintal da minha casa num dia de sol, minha mãe pegou a máquina digital de 1630, estendeu um véu azul no muro e lá fui eu fazer cara de bonita. Meu irmão melhorou a qualidade no computador porque não ia rolar photoshop e pimba! Fiquei muito satisfeita com o resultado. Quem quiser ver, me procura no orkut, tá lá no meu álbum.





Com meu vídeo foi a mesma coisa. Nossa filmadora é master passada da validade e precisa daquelas fitas, o que significaria que ainda teríamos que passar pra DVD. Resultado: filmadora ultra velha + fitinha + trabalhão pra passar pra DVD = a imagem que não ficou uma glória mas que no fim das contas ia ficar daquele jeito mesmo.

Agora o pior foi com meu curriculum. Essa mesma menina que ficou se gabando das fotos, contava pra todo mundo que tinha feito todos e os melhores workshops do universo. Ela fez mais workshops do que muita bailarina da KK. E adivinhem só: eu nunca fiz nenhum! Ai que dó. Meu curriculum tava cheinho, afinal, danço há dez anos. Mas workshops… nunca achei que valesse a pena. Muito caro, muito lotado, pra no final a gente sair com uma coreografia.

Para preencher a ficha de inscrição, não foi diferente. No espaço "quem foi sua professora principal", me danei. Sou auto-didata e é horrível colocar isso num currículum. Comecei a dançar em 1999 e fui me aperfeiçoando através de vídeos e shows até 2007, quando comecei a fazer aulas com a Lulu e ela me disse que havia uma ou duas coisas que eu precisava ficar de olho enquanto eu dançava. A Lulu é uma professora incrível e graças a ela minha dança evoluiu muito.

Por fim, enviei meu material com as fotos feitas no quintal, meu vídeo embaçado, sem nenhum workshop no currículum e totalmente auto-didata. Quando o resultado da primeira fase saiu eu já nem fazia mais aulas. Fui na lan-house com um fio de esperança de ver meu nome lá e não é que estava? E o melhor: a tal menina que se achava não tinha passado nem da primeira fase. Das quatro da turma, apenas eu e mais uma passamos. Ela continuou fazendo aulas e tendo todas as dicas mas acabou não passando da segunda fase. Eu tive que me virar sozinha, pra variar.

No dia da prova, eu sabia que tinha ido bem, a gente sente essas coisas. Improvisei 11 minutos de Hazar Fazar, do Wash ya Wash. Todos na banca estavam muito sorridentes e uma daquelas carinhas um dia me disse que eu era muito boa. Quando saí, e agora posso contar, a Rose (que dá uma mão pras meninas e também é bailarina) me disse que eu tinha dançado bem pra caramba, ganhei meu dia. Até chegar o resultado, o tempo não passava e eu já nem sabia se passaria também. Após a prova, li um e-mail da Lulu com os quesitos a serem avaliados e fiquei dura: dancei sem saber de nada, tudo porque esqueci de acessar o e-mail um dia antes. Só o que eu sabia era que minha maquiagem, meu cabelo e minha roupa estavam impecáveis e eu estava arrumadinha.



Eu já sabia que o resultado só sairia dia 5/11 e o discurso "não acredito que não passei" estava preparado. Mas no domingo, dia primeiro, entrei no meu orkut e lá estava o recado: "Paula, entra lá no site, nós conseguimos!". E nisso eu já tinha uns quinze recados me parabenizando. Na hora meu coração parou na boca. Entrei no site e estava lá minha carinha! Fiquei tão feliz que até chorei. Fiquei feliz por mim e por todas, especialmente pelas meninas do meu dia, nós fomos a maioria no resultado. No fim das contas, a outra menina que era da turma não passou.

O que eu quis passar com esse texto foi o seguinte: para enviar o material você precisa ter coragem, humildade e acreditar que seu trabalho é bom. Admita que há problemas em sua dança e estude com o que tiver a seu alcance. Mandar o vídeo pra pré é difícil mas é apenas uma preparação para tudo o que ainda virá pela frente.

… isso aÌ, meninas. Acreditem em si mesmas e boa sorte!


Paula Fallahi



domingo, 6 de setembro de 2009

Contagem regressiva para a pré-seleção (por Paula Fallahi)

Bom, hoje estou aqui para falar um pouco sobre o que são os meses que antecedem a segunda fase da pré-seleção.
Desde fevereiro só tenho feito duas coisas: estudar músicas clássicas e assistir vídeos. Muitos! E é engraçado como uma coisa leva a outra. Eu mesma sempre senti que faltava algo em minha dança, mas só quando você é obrigada a parar para estudar de verdade é que descobre que não sabia nada…
Quando o resultado saiu e vi meu nome lá, nem acreditei. Primeiro, porque depois de fazer aulas com praticamente metade das professoras que dançam na casa de chá, tive a comprovação de que a dança do ventre é um aprendizado eterno. Começa lá do pé que fica meio torto pra fazer um chassê e eu nunca tinha reparado, até o queixo que tem que ficar posicionado de forma correta pra fazer um redondo grande. Hoje, assistindo ao vídeo que mandei (que por sinal gravei em julho de 2008), dá para perceber como estudar faz a gante crescer.
Mas só coloquei dois na net: a popular cantada (que parece que eu tenho 14 anos quando, na verdade, tenho 24) e o solo de derbake, que foram os que mais gostei. Minha irmã gostou muito da clássica, porém, imaginem um côco com roupinha de dança. Sou eu, dura pra caramba!










Até o mês passado, fiz alguns esquemas de estudos. Em um deles, improvisava, filmava e assistia. Ficava uma bosta. Eu me detestava! Minha irmã assistia e no final eu falava: “e aí?” e ela completava com “então…”. Bom, foi quando percebi que o buraco era um pouco mais fundo do que eu pensava. Primeiro, porque muitas mulheres acreditam que ser magra é uma maravilha. Errado, minhas filhas. Eu tenho que fazer uma força do caramba para o meu quadril marcar as batidas da música. Pra vocês terem uma idéia, na avaliação que recebi da primeira fase, a Lulu disse a seguinte coisa: “Então, como você é muito magrinha e muito pequenininha, o seu movimento sai muito seco mesmo, seria melhor em tal parte colocar uma reverberação…”. E vocês não acreditam, mas eu fiz! Me matei de fazer shimmie, juro!Huashuahuahshua!!!!!!!!!!!!!!! Mas essa fase passou e já me conformei. A Aziza, por exemplo, é uma excelente bailarina e só quando fui fazer aula com ela que descobri ser poucos centímetros maior que eu além de ser magrinha.






Agora, estou naquele período em que parece que não dá pra fazer mais nada. Musicas clássicas são lindas, mas quando chegam a 15 minutos dão medo. Fico pensando que minha criatividade vai acabar no sétimo minuto e a banca vai pensar “tá, e agora?” e eu “socorro, me tirem daqui!”. Ainda assim, para quem pensa em mandar o vídeo, eu garanto uma coisa: vale muito a pena. Eu nem sei se vou passar dessa segunda fase, mas o que acontece até lá é uma experiência que não tem explicação. É uma rotina de estudos, de conhecer pessoas, baixar músicas e achar que você é péssima (faz parte). E quando você pensa que já aconteceu tudo e você já baixou todas as músicas e está totalmente preparada, alguém chega e pergunta se você já tem a série “Belly Dance e o massacre da serra elétrica vol. 1 ao 7”, na qual todas as músicas têm mais de dez minutos ou em um dos volumes só tem duas músicas com duas horas e trinta e seis minutos cada uma e novamente você pensa “morri”.
Bom, ainda vamos ter a segunda parte dessa história, mas só em novembro. Independente do resultado, vou contar sobre certos aspectos da pré que acabam desencorajando muita bailarina. Fatores que, por sinal, quase fizeram com que eu não participasse porque se não fosse de “tal jeito”, ou não se não dançasse de “tal forma”, não daria certo. Mas essa é uma outra e muito loonga história.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Uma história de outrora – parte 3

A Angelina era uma mestra bem novinha e aparentemente uma das preferidas do reino Canecah; as irmãs plebéias acharam relativamente estranho que a mestra Lilih tivesse deixado um grupo avançado como o delas com uma sacerdotisa que mal havia deixado as fraldas… bem, antes ela do que a ruiva arrogante, assustadora e branquela que tinha em todos os reinos a péssima fama de se achar a melhor de todas as sacerdotisas!

Claramente, esta nova mestra desempenhava muito bem a dança sagrada; no entanto, todos deveriam saber que não se deve mostrar ao padre como rezar uma missa. As meninas perceberam que a moça não sabia exatamente o que deveria fazer com aquele grupo de discípulas e seguiu aula após aula ensinando a elas o beabá do raks do leste da Indonésia. Um fiasco.

Desenganadas e sentindo-se um pouco enroladas, as moças resolveram seguir o conselho de sua colega Fonzie, que também tomava aulas com outra mestra do reino e tanto fez que conseguiu convencê-las a trocar de turma. Ela dizia que sua mestra, a mais importante depois da Lilih, era simplesmente fantástica. Além de dançar incrivelmente, ministrava aulas maravilhosas. Suas discípulas simplesmente a idolatravam. As jovens, cientes da fama dessa mestra, nem precisaram pensar muito: uma semana depois lá estavam as duas felizes e empolgadas na sala de sua nova mentora, a professora Gada.

Assim como Lilih, Gada era desbocada e falava pelos cotovelos. Inventava palavras engraçadas para definir passos, fazia coisas doidas durante a aula, brincava com as alunas. Ensinava lindas sequências de dança, explicava novas formas de executar movimentos e até palavras importantes da língua nativa do Raks as meninas aprenderam a falar com ela. As outras discípulas, acostumadas com o comportamento da mestra, divertiam-se com suas estripulias e faziam as garotas sentirem-se à vontade como normalmente não aconteceria.Finalmente as jovens pareciam haver se encontrado naquele lugar que, aos poucos, começaria a se revelar mais inapropriado do que elas imaginavam…

Continua…

quinta-feira, 23 de julho de 2009

BBDS – Barangas Belly Dancers

Dia desses estávamos eu e minha irmã procurando bailarinas bacanas e de preferência desconhecidas para dar uma estudada. Essas são, sem sombra de dúvida, as melhores: sempre se tem algo a aprender com elas, às vezes muito mais do que com algumas figurinhas famosas de nosso meio.
Como nem tudo é perfeito, acabamos, no fim das contas, dando de cara com umas, hã, pseudo-bailarinas (engraçadíssimas, por sinal) "se achando". Ai tristeza! Umas fofas sem a menor noção de como se vestir, se maquiar, arrumar os cabelos ou como se comportar durante a dança. Utilizam as piores músicas, os piores passos, participam de concursos, mandam vídeo para a pré-seleção e muitas ainda dão aula! Deus me livre…
Ficamos tão passadas (e quase em coma profundo após tantas risadas) que decidimos criar uma lista de características para que possamos reconhecer uma boa baranga belly dancer (apontei as dez mais óbvias, logicamente há mais trocentas):
1 – roupas entupidas de lantejoulas (ou fantasia de carnaval) porque, segundo as BBDS, do palco o brilho chama mais atenção;
2 – saia na altura do tornozelo, vai que a baranga tropeça e cai;
3 – em shows e eventos, performance de derbake é lei. Afinal, para uma boa baranga, arrebentar o quadril é a única forma de chamar a atenção do público. Para bem ou para mal;
4 – se o quadril é fraquinho, Tony Mouzayek na veia. Que baranga não vibra ao som de Habibi ya Aini na voz do Daniel das Arábias?
5 – postura zero. Baranga que é baranga dança feito o Corcunda de Notre-Dame grávido de cinco meses;
6 – no orkut, facinho reconhecer: fotinho cheia de pose com roupinha de dança… ao lado da máquina de lavar;
7 – falando em pose, aquela típica com bracinhos pra cima e mãozinhas juntas tipo castelinho denuncia qualquer baranga;
8 – ainda no orkut, descrição do perfil: "dançarina" do ventre (ou o que é pior, odalisca);
9 – pose de castelinho em meio às pirâmides do Egito. Tudo graças ao photoshop e ainda com direito a recorte mal feito ao redor da foto (baranga que é baranga não dispensa montagens mal-feitas);
10 – essa é típica das BBDS: fazer algumas aulas, aprender o básico e sair por aí ensinando e se intitulando professora. Já perceberam como só as barangas se acham?
Como deu para perceber, utilizo o termo "baranga" de uma forma um pouco mais abrangente, não apenas ressaltando a parte física como o termo parece sugerir. A "baranguice", como costumamos dizer aqui na escola, vai muito além de dançar com véu wings para disfarçar a péssima bailarina que se esconde por trás dele…

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Uma história de outrora (parte dois)

As duas jovens plébéias adoraram a aula com a mestra Lilih. Ela era divertida, não tinha papas na língua, possuía uma didática excelente e o melhor de tudo, tratava todas as discípulas de igual para igual. O conteúdo do dia, as meninas dominavam pouco (especialmente a mais velha); logo, o aproveitamento foi máximo assim como seu contentamento, consequentemente.
Na teoria, as aulas da mestra Lilih eram dirigidas exclusivamente para aquelas que já dominavam a sagrada arte e buscavam aperfeiçoamento, limpeza de movimentos, entendimento de novas técnicas. Porém, as plebéias perceberam logo de início que algumas discípulas da mestra Lilih sofriam de um gravíssimo transtorno cerebral denominado FNA (falta de noção aguda) e não sabiam que o lugar delas era, na verdade, no “básico um” (credo, quem ainda usa esse tipo de denominação?), o primeiro estágio de aprendizado do raks do leste da Indonésia.
Ainda sim, a mestra Lilih, fazendo de conta que estavam todas no mesmo nível, seguia com suas aulas. Ignorava o fato de que muitas discípulas mal conseguiam apoiar-se nos próprios pés. Umas vezes, as corrigia; noutras, deixava pra lá. Será que valeria a pena? No fundo, no fundo, sabia que algumas delas estavam ali por puro interesse. Queriam ser aprovadas no teste que poderia fazer com que entrassem para o famoso e igualmente duvidoso rol de “sacerdotisas” que compunham o reino da “Canecah da Lilih” e tornarem-se tão poderosas quanto elas. Algumas delas.
Mas a mestra Lilih era muito requisitada em reinos estrangeiros. Para não deixar suas adoradas discípulas “na mão”, costumava entregar sua classe à ex-discípulas sacerdotisas da Canecah, agora consideradas mestras. Isso causou certa estranheza às plebéias, que pagavam “ozóiodacara”(um dinheiro ganho de forma suada com o trabalho na roça) para que a super mestra as ensinasse. Sem muita opção, as jovens acabaram passando pelas mãos de muitas “mestras” em sua jornada pelo mundo “Canecah da Lilih”.
Uma delas, a “Ziza”, era incrível. Paciente, esperta e gentil, ensinou movimentos novos, técnicas diferentes, alongamento daqueles. Uma maravilha. Pena que durou pouco. Quando Lilih voltou, decidiu que em sua próxima viagem colocaria outra discípula-sacerdotisa-mestra para substituí-la. E foi a partir desse instante que as coisas começaram a mudar no pequeno mundinho das jovens plebéias.

Continua…

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Preconceito e falta de ética


Aqui na escola tem um rapaz que faz aulas de dança do ventre conosco. Isso mesmo, um ALUNO de dança do ventre e quem ainda acha isso estranho, melhor nem seguir com a leitura. Hoje estou aqui para falar sobre um episódio nada agradável que aconteceu com ele e que me deixou fula da vida. Desculpe querido aluno, mas essa eu tenho que contar!


Há alguns anos, esse meu aluninho procurou pela primeira vez uma escola de dança do ventre. Acabou encontrando em JundiaÌ (SP), onde se matriculou e lá permaneceu por seis meses.
A professora, um belo dia, resolveu colocar o grupo no qual ele fazia parte para apresentar um derbake em um evento de dança da cidade. Ocorre que ela, assim como um monte de "profissionais" por aí, não teve a decência de instruí-lo: não ensinou como maquiar-se, não mostrou o modo adequado de se vestir nem quais acessórios usar. Isso significa que o pobre teve que "se fantasiar" com uma roupitcha da 25 de março, dançar com o peito cabeludo e ainda implorar maquiagem para suas colegas. Situação…


Dentro do camarim, no dia da apresentação, a professora sugeriu que ele trocasse de roupa no banheiro e não com as meninas. Ok até aí, não fosse o fato dela mais algumas alunas caçoarem desse meu aluno pelas costas e ele ouvir tudo. Um trecho da conversa:
Aluna – Não sei porque ele tá se achando, homem não tem que dançar! Aqui não é o lugar dele! (ou algo do tipo)
Professora – Dane-se, o que importa È que ele está me pagando! (ou um similar, mais risos)

Isso tudo além de ser seriamente ofendido durante e após a apresentação. Detalhes que merecem consideração:
- uma das alunas que zombou dele e cujos comentários não devem sequer ser citados aqui, È , há alguns anos, bailarina de uma casa de chá de São Paulo.

- outra aluna da tal professora pediu que ela trocasse o horário de aulas do rapaz porque a bonita tinha nojinho dele. Essa fofa foi bailarina da mesmíssima casa de chá.
- no fim da dança, um cantor bem famosinho entre as bailarinas brasileiras (o Daniel das Arábias), correu para o camarim com uma espada (?) atrás de meu aluno para cacetá-lo.

Ficamos putas aqui na escola porque, primeiro: esse menino È meu aluno há anos e todas as alunas gostam dele e o aceitam no grupo. Ele È bailarino clássico e dança melhor do que muita bailarina que conheço. Segundo: falta de ética e preconceito são motivos mais do que suficientes para uma bailarina não fazer parte do grupo de dança de um estabelecimento. Terceiro: o Mercado Persa È o maior evento de dança do ventre da América Latina. Vemos um considerável número de rapazes (não mencionando a dança masculina) praticantes da arte e das muitas vezes em que participei, em nenhum momento testemunhei preconceito. Por que raios numa uma cidade como JundiaÌ, que nem dá para considerar interior e com uma quantidade expressiva de praticantes da dança (e não é sé dança meia boca, não! Tem bailarina boa por aquelas bandas), temos que dar de cara com um tipinho tão medíocre de profissional? Nem no cu do mundo onde vivo tenho que lidar com isso.


E eu que achei que vivia numa bolha…