A mais tradicional escola de Dança do Ventre da região de Campinas

A mais tradicional escola de Dança do Ventre da região de Campinas
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Aqui é um espaço dedicado à todos os seres pensantes do mundo belly dancer.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Uma história de outrora – parte 3

A Angelina era uma mestra bem novinha e aparentemente uma das preferidas do reino Canecah; as irmãs plebéias acharam relativamente estranho que a mestra Lilih tivesse deixado um grupo avançado como o delas com uma sacerdotisa que mal havia deixado as fraldas… bem, antes ela do que a ruiva arrogante, assustadora e branquela que tinha em todos os reinos a péssima fama de se achar a melhor de todas as sacerdotisas!

Claramente, esta nova mestra desempenhava muito bem a dança sagrada; no entanto, todos deveriam saber que não se deve mostrar ao padre como rezar uma missa. As meninas perceberam que a moça não sabia exatamente o que deveria fazer com aquele grupo de discípulas e seguiu aula após aula ensinando a elas o beabá do raks do leste da Indonésia. Um fiasco.

Desenganadas e sentindo-se um pouco enroladas, as moças resolveram seguir o conselho de sua colega Fonzie, que também tomava aulas com outra mestra do reino e tanto fez que conseguiu convencê-las a trocar de turma. Ela dizia que sua mestra, a mais importante depois da Lilih, era simplesmente fantástica. Além de dançar incrivelmente, ministrava aulas maravilhosas. Suas discípulas simplesmente a idolatravam. As jovens, cientes da fama dessa mestra, nem precisaram pensar muito: uma semana depois lá estavam as duas felizes e empolgadas na sala de sua nova mentora, a professora Gada.

Assim como Lilih, Gada era desbocada e falava pelos cotovelos. Inventava palavras engraçadas para definir passos, fazia coisas doidas durante a aula, brincava com as alunas. Ensinava lindas sequências de dança, explicava novas formas de executar movimentos e até palavras importantes da língua nativa do Raks as meninas aprenderam a falar com ela. As outras discípulas, acostumadas com o comportamento da mestra, divertiam-se com suas estripulias e faziam as garotas sentirem-se à vontade como normalmente não aconteceria.Finalmente as jovens pareciam haver se encontrado naquele lugar que, aos poucos, começaria a se revelar mais inapropriado do que elas imaginavam…

Continua…

quinta-feira, 23 de julho de 2009

BBDS – Barangas Belly Dancers

Dia desses estávamos eu e minha irmã procurando bailarinas bacanas e de preferência desconhecidas para dar uma estudada. Essas são, sem sombra de dúvida, as melhores: sempre se tem algo a aprender com elas, às vezes muito mais do que com algumas figurinhas famosas de nosso meio.
Como nem tudo é perfeito, acabamos, no fim das contas, dando de cara com umas, hã, pseudo-bailarinas (engraçadíssimas, por sinal) "se achando". Ai tristeza! Umas fofas sem a menor noção de como se vestir, se maquiar, arrumar os cabelos ou como se comportar durante a dança. Utilizam as piores músicas, os piores passos, participam de concursos, mandam vídeo para a pré-seleção e muitas ainda dão aula! Deus me livre…
Ficamos tão passadas (e quase em coma profundo após tantas risadas) que decidimos criar uma lista de características para que possamos reconhecer uma boa baranga belly dancer (apontei as dez mais óbvias, logicamente há mais trocentas):
1 – roupas entupidas de lantejoulas (ou fantasia de carnaval) porque, segundo as BBDS, do palco o brilho chama mais atenção;
2 – saia na altura do tornozelo, vai que a baranga tropeça e cai;
3 – em shows e eventos, performance de derbake é lei. Afinal, para uma boa baranga, arrebentar o quadril é a única forma de chamar a atenção do público. Para bem ou para mal;
4 – se o quadril é fraquinho, Tony Mouzayek na veia. Que baranga não vibra ao som de Habibi ya Aini na voz do Daniel das Arábias?
5 – postura zero. Baranga que é baranga dança feito o Corcunda de Notre-Dame grávido de cinco meses;
6 – no orkut, facinho reconhecer: fotinho cheia de pose com roupinha de dança… ao lado da máquina de lavar;
7 – falando em pose, aquela típica com bracinhos pra cima e mãozinhas juntas tipo castelinho denuncia qualquer baranga;
8 – ainda no orkut, descrição do perfil: "dançarina" do ventre (ou o que é pior, odalisca);
9 – pose de castelinho em meio às pirâmides do Egito. Tudo graças ao photoshop e ainda com direito a recorte mal feito ao redor da foto (baranga que é baranga não dispensa montagens mal-feitas);
10 – essa é típica das BBDS: fazer algumas aulas, aprender o básico e sair por aí ensinando e se intitulando professora. Já perceberam como só as barangas se acham?
Como deu para perceber, utilizo o termo "baranga" de uma forma um pouco mais abrangente, não apenas ressaltando a parte física como o termo parece sugerir. A "baranguice", como costumamos dizer aqui na escola, vai muito além de dançar com véu wings para disfarçar a péssima bailarina que se esconde por trás dele…

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Uma história de outrora (parte dois)

As duas jovens plébéias adoraram a aula com a mestra Lilih. Ela era divertida, não tinha papas na língua, possuía uma didática excelente e o melhor de tudo, tratava todas as discípulas de igual para igual. O conteúdo do dia, as meninas dominavam pouco (especialmente a mais velha); logo, o aproveitamento foi máximo assim como seu contentamento, consequentemente.
Na teoria, as aulas da mestra Lilih eram dirigidas exclusivamente para aquelas que já dominavam a sagrada arte e buscavam aperfeiçoamento, limpeza de movimentos, entendimento de novas técnicas. Porém, as plebéias perceberam logo de início que algumas discípulas da mestra Lilih sofriam de um gravíssimo transtorno cerebral denominado FNA (falta de noção aguda) e não sabiam que o lugar delas era, na verdade, no “básico um” (credo, quem ainda usa esse tipo de denominação?), o primeiro estágio de aprendizado do raks do leste da Indonésia.
Ainda sim, a mestra Lilih, fazendo de conta que estavam todas no mesmo nível, seguia com suas aulas. Ignorava o fato de que muitas discípulas mal conseguiam apoiar-se nos próprios pés. Umas vezes, as corrigia; noutras, deixava pra lá. Será que valeria a pena? No fundo, no fundo, sabia que algumas delas estavam ali por puro interesse. Queriam ser aprovadas no teste que poderia fazer com que entrassem para o famoso e igualmente duvidoso rol de “sacerdotisas” que compunham o reino da “Canecah da Lilih” e tornarem-se tão poderosas quanto elas. Algumas delas.
Mas a mestra Lilih era muito requisitada em reinos estrangeiros. Para não deixar suas adoradas discípulas “na mão”, costumava entregar sua classe à ex-discípulas sacerdotisas da Canecah, agora consideradas mestras. Isso causou certa estranheza às plebéias, que pagavam “ozóiodacara”(um dinheiro ganho de forma suada com o trabalho na roça) para que a super mestra as ensinasse. Sem muita opção, as jovens acabaram passando pelas mãos de muitas “mestras” em sua jornada pelo mundo “Canecah da Lilih”.
Uma delas, a “Ziza”, era incrível. Paciente, esperta e gentil, ensinou movimentos novos, técnicas diferentes, alongamento daqueles. Uma maravilha. Pena que durou pouco. Quando Lilih voltou, decidiu que em sua próxima viagem colocaria outra discípula-sacerdotisa-mestra para substituí-la. E foi a partir desse instante que as coisas começaram a mudar no pequeno mundinho das jovens plebéias.

Continua…

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Preconceito e falta de ética


Aqui na escola tem um rapaz que faz aulas de dança do ventre conosco. Isso mesmo, um ALUNO de dança do ventre e quem ainda acha isso estranho, melhor nem seguir com a leitura. Hoje estou aqui para falar sobre um episódio nada agradável que aconteceu com ele e que me deixou fula da vida. Desculpe querido aluno, mas essa eu tenho que contar!


Há alguns anos, esse meu aluninho procurou pela primeira vez uma escola de dança do ventre. Acabou encontrando em JundiaÌ (SP), onde se matriculou e lá permaneceu por seis meses.
A professora, um belo dia, resolveu colocar o grupo no qual ele fazia parte para apresentar um derbake em um evento de dança da cidade. Ocorre que ela, assim como um monte de "profissionais" por aí, não teve a decência de instruí-lo: não ensinou como maquiar-se, não mostrou o modo adequado de se vestir nem quais acessórios usar. Isso significa que o pobre teve que "se fantasiar" com uma roupitcha da 25 de março, dançar com o peito cabeludo e ainda implorar maquiagem para suas colegas. Situação…


Dentro do camarim, no dia da apresentação, a professora sugeriu que ele trocasse de roupa no banheiro e não com as meninas. Ok até aí, não fosse o fato dela mais algumas alunas caçoarem desse meu aluno pelas costas e ele ouvir tudo. Um trecho da conversa:
Aluna – Não sei porque ele tá se achando, homem não tem que dançar! Aqui não é o lugar dele! (ou algo do tipo)
Professora – Dane-se, o que importa È que ele está me pagando! (ou um similar, mais risos)

Isso tudo além de ser seriamente ofendido durante e após a apresentação. Detalhes que merecem consideração:
- uma das alunas que zombou dele e cujos comentários não devem sequer ser citados aqui, È , há alguns anos, bailarina de uma casa de chá de São Paulo.

- outra aluna da tal professora pediu que ela trocasse o horário de aulas do rapaz porque a bonita tinha nojinho dele. Essa fofa foi bailarina da mesmíssima casa de chá.
- no fim da dança, um cantor bem famosinho entre as bailarinas brasileiras (o Daniel das Arábias), correu para o camarim com uma espada (?) atrás de meu aluno para cacetá-lo.

Ficamos putas aqui na escola porque, primeiro: esse menino È meu aluno há anos e todas as alunas gostam dele e o aceitam no grupo. Ele È bailarino clássico e dança melhor do que muita bailarina que conheço. Segundo: falta de ética e preconceito são motivos mais do que suficientes para uma bailarina não fazer parte do grupo de dança de um estabelecimento. Terceiro: o Mercado Persa È o maior evento de dança do ventre da América Latina. Vemos um considerável número de rapazes (não mencionando a dança masculina) praticantes da arte e das muitas vezes em que participei, em nenhum momento testemunhei preconceito. Por que raios numa uma cidade como JundiaÌ, que nem dá para considerar interior e com uma quantidade expressiva de praticantes da dança (e não é sé dança meia boca, não! Tem bailarina boa por aquelas bandas), temos que dar de cara com um tipinho tão medíocre de profissional? Nem no cu do mundo onde vivo tenho que lidar com isso.


E eu que achei que vivia numa bolha…

domingo, 29 de março de 2009

Roubo de fotos no ORKUT

Pois é pessoal! É triste ver como uma rede social com um potencial enorme para facilitar a vida de todos sempre acaba sendo usado como meio de picaretagem.
Como a maioria de vocês sabem, além de ensinar dança do ventre, nós também confeccionamos roupas de dança.
Adicionamos então fotos de nossos trabalhos ao nosso Multiply na esperança de divulgar nosso trabalho.

Agora imaginem minha surpresa ao acessar o Orkut e ser notificada de que um certo "Ateliê" estava colocando nossas roupas a venda como se fossem trabalhos deles? <---- o.O

Além de usar nossas fotos sem autorização e sem os devidos créditos, eles[as] nem ao menos se preocuparam em ocultar o rosto das modelos, expondo as mesmas à uma situação desnecessariamente constrangedora.



sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Uma história de outrora

Era uma vez…

… duas jovens plebéias que viviam em um reino ultra distante chamado “O Rancho que Fala e Ri”. Era um lugar bem pequenino que fora construído dentro de uma enorme bolha, assim como todos os outros reinos ao redor. Lá, elas e sua mãe trabalhavam com um estilo particular de ritual denominado “raks do leste da Indonésia” juntamente com suas discípulas. Todas eram felizes, os dias eram produtivos e a mesma mesmice tomava conta do reino.

O rancho que Fala e Rí

As jovens, no entanto, começaram a perceber que suas discípulas estavam se esforçando muito pouco para tornarem-se melhores aprendizes e acabaram acomodando-se com o passar do tempo. Desanimadas, as duas garotas começaram a pensar que as discípulas de outros reinos executavam a sagrada arte com muito mais afinco e acabaram por se deixar abater pelo mais profundo tédio e falta de vontade. Mais conhecido nos tempos atuais como “boring”.
Um belo dia, cansada de ver as filhas nessa situação de marasmo total, a mãe das meninas decidiu que elas deveriam desbravar outros reinos á procura de uma mestra que pudesse lhes mostrar um novo caminho. Como qualquer reino era longínquo demais, ela decidiu por matricular as filhas no mais famoso de todos os reinos: o “Canecah da Lilih”, cuja mestra era conhecida em todas as bolhas por ser a maior de todas as mestras.

Canecah da Lilih

Assim, as jovens plebéias, felizes, esperançosas e desesperadas para sair de sua bolha, pegaram a carroça e viajaram setenta e cinco quilômetros em direção a um novo rumo para suas vidas.
Lá chegando, as meninas ficaram encantadas com toda a beleza do lugar. Havia vestimentas típicas confeccionadas por uma grande estilista do reino; uma música bem familiar ecoava pelo hall de entrada e logo ali, no salão onde eram realizados os rituais, uma mulher magérrima e conhecidíssima pelas jovens (era uma das mais incríveis de todas as mestras) ministrava uma animada aula de dança típica dos plebeus do norte do Azerbaidjão.
O medinho foi tomando conta das pobres plebéias; elas temiam não ser tão boas na arte do raks do leste da Indonésia quanto as outras discípulas do reino da Lilih. Poucos minutos se passaram quando o salão foi deixado pela mestra magrinha e suas discípulas, cedendo a vez ás duas garotas que imediatamente entraram e conheceram a sua mestra, a maior de todas, a mega-ultra-hiper-super-blaster-master mestra das mestras: a Lilih em carne e osso.
Recebidas de braços abertos, as novatas iniciaram sua tão esperada primeira aula naquele acolhedor e ao mesmo tempo, muito estranho reino…



Continua…

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Sobre trajes de dança

Uns tempos atrás comecei a ter contato com um atelier de uma estilista bem conhecida em nosso meio, especialmente no estado de São Paulo, e queria deixar algumas impressões. Sou responsável pelos desenhos das roupas que criamos em minha escola (não quero me intitular estilista) além de passar pelo menos metade de minha vida bordando todas elas junto com minha mãe e irmã. É o que eu sempre digo: bordar é coisa pra macho!
Sou chatíssima para roupa. Não uso material de plástico, tenho pânico de lantejoula, acho cinturão largo um horror e usar sutiã ao invés de bojo, só no caso das peitudas. Bordar um traje completo de dança não é trabalho para qualquer um e se for para fazer uma coisa meia boca, prefiro dançar de camisola.
Bom, aqui onde moro e tenho escola, o povo tem o rei na barriga, mas dinheiro que é bom… portanto, temos que nos adaptar às condições financeiras das pessoas que frequentam nossas aulas. Isso não significa que vou fazer as coitadas de minhas alunas vestirem um teco de malha com meia dúzia de penduricalhos. Uma roupa completa aqui na escola (saia, cinturão, sutiã, braceletes, mais um véu de musseline), com franjas e material de acrílico, sai entre 450 e 500 reais. Se for totalmente bordada com vidrilhos, por volta de 600.
O atelier que mencionei tem trajes lindos, claro. Não fazem meu estilo de roupa, mas alguns (os mais caros, por volta de 800 reais e sem franja) são muito interessantes. Os tecidos são bons, compensam o material de qualidade sofrível; ainda assim, algumas não valem os 500 ou 600 reais que são cobrados por elas, honestamente.

Roupa de Kátia Fallahi by Atelier Fallahi


Eu e minha irmã fizemos parte de um grupo de dança esse ano e seríamos obrigadas a adquirir um traje desse atelier se quiséssemos nos apresentar. O valor seria 500 reais. Uma parte de nós ficou feliz, porque as roupas de lá nesse valor costumam ser muito bem bordadas. Por outro lado, usar uma roupa que não fosse nossa seria um tanto… estranho. Mas…
Quando os trajes ficaram prontos (vou pular as partes das provas das roupas), foi foda. De verdade. Uma saia de malha com umas ondas de lantejoulas. Um cintinho fino com contas de plástico e uma outra saia de musseline do mais vagabundinho anexa ao tal citinho. Um sutiã com umas ondinhas de lantejoulas. Um bolero, do mesmo tecido da primeira saia mais a musseline fraquinha. Uma galabia, essa sim bacana, confesso. Ou seja, 500 reais em uma roupa que dá para fazer com 200. Mais mão-de-obra, no máximo uns 350.
No fim das contas eu e minha irmã não usamos as roupas porque acabamos não conseguindo nos apresentar. Não era pra ser, fazer o quê. Mas mostramos as roupas para todas as nossas alunas e foi unânime: nenhuma delas daria cem reais em cada um dos conjuntos. As meninas são duras e só gastam dinheiro com aquilo que possa valer a pena. Ainda assim, pelo menos vinte garotas daquela turma que fizemos parte compraram o traje. Lembro que ficamos passadas com o fato da maioria delas gastarem uma grana feia com uma roupa de gosto duvidoso sem argumentar com a professora, responsável pelo desenho dos trajes. Eu e minha irmã só não o fizemos porque sabemos como é difícil montar um grupo de dança e ficar meses treinando um raio de uma coreografia para apresentar no fim do ano. Se arrependimento matasse…
Quem tiver paciência, visite nosso multiply. Lá tem fotos de roupas que usamos, feitas por nós e por alunas, nenhuma de outro atelier. Admito que tem pelo menos duas lá que eu fiz que acho meio feiosas! Mas nada que se compare a um teco de malha com meia dúzia de penduricalhos…
http://fallahi2008.multiply.com/
Bju, bju