A mais tradicional escola de Dança do Ventre da região de Campinas

A mais tradicional escola de Dança do Ventre da região de Campinas
Sejam bem vindos!
Aqui é um espaço dedicado à todos os seres pensantes do mundo belly dancer.
Leiam, discutam e compartilhem!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Matemática Belly Dance

Segue uma lista de equações com respostas. Para as alunas de Dança do Ventre pensarem um pouquinho...

1) CINTURÃO + BUSTIÊ + SAIA - ESTUDO = "ODALISCA POP"
"ODALISCA POP"+ MÚSICA = SHAKIRA
SHAKIRA ≠ DANÇA DO VENTRE

2) CONTORCIONISMO + BALET + VÉU - ESTUDO = CIRCO
CIRCO (COM ESTUDO) + MÚSICA = CIRQUE DU SOLEIL
CIRQUE DU SOLEIL ≠ DANÇA DO VENTRE

3) BELEZA + TRAJES CAROS - ESTUDO = MODELETE
MODELETE ≠ BAILARINA

4) EGO + BANDA - ESTUDO = PSEUDODANCER
PSEUDODANCER ≠ BELLYDANCER

5) WORKSHOP + AULAS + VÍDEOS + SHOWS = GASTO
GASTO + FALTA DE SENSO ≠ ESTUDO

6) ESTUDO = EXERCÍCIO CEREBRAL
mais bom senso, mais respeito à arte, mais...

Em um mundo onde as pessoas emburrecem a cada dia, dicas para manter os miolos saudáveis:

Ler: Paul Auster, Rubem Fonseca, Turma da Mônica, Ziraldo
Ouvir: Música (entendeu? MÚSICA!)
Assistir: Cinema alternativo, Séries, Documentários

PS:
1 - Cirque du Soleil é tudo de bom. Exemplo de dedicação, estudo, amor e respeito à arte.
2 - Quando faço uso da palavra "estudo" refiro-me a todos os assuntos que abrangem Dança do Ventre.
3 - Não, não suporto a Shakira
4 - Não sou pseudo-intelectual (embora adore esta palavra!), portanto não leio Franz Kafka.

Bjunda



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Seda, tô fora!

Minha aluna não veio, estou desocupada, então vou dar um oizinho aqui...
E quero falar sobre minha eterna insatisfação com o véu de seda.
Acho que devo ser uma das poucas profissionais em Belly Dance totalmente avessa ao uso deste tipo de véu (assim como a palhaçada "wings", mas esse nem vale os comentários). Não entendo aquele negócio... principalmente os arco-íris, aqueles trecos altamente tenebrosos que todas as bailarinas acham que combinam com tudo mas que na verdade não vão com nada, tremenda breguice. Manchado, sem mancha, com estampa, costurinha... odeio.
Me deixa puta da vida a maioria das escolas empurrar aquilo goela abaixo das alunas logo na primeira semana, as pobres mal abrem os dedos, de que jeito vão manusear um tecido tão fino com elegância? Ai, fala sério... sem contar que o bicho é caro, não é não? Dá musseline pras coitadas ou será que uma performance com ele de é assim tão pobre? Eu não acho melhor ver uma neguinha chicoteando um pano que mais parece um papel no ar (palha de seda é um lixo de tecido, rasga fácil demais) do que uma bailarina às voltas com um bom musseline!
O fato é que para dançar bonito com véu, de seda ou não, é preciso primeiro aprender a dançar. Não adianta se matar de rodar ou dar piruetas e desenhar parábolas no ar, isso não é dança, é circo. E está bem difícil de assistir a uma apresentação bonita de véu estes últimos tempos.
Aliás, está difícil ver dança estes últimos tempos...

Bjucus

domingo, 22 de maio de 2011

Living “la vida loca”, por Paula Fallahi

Bom, hoje vou fugir um pouquinho do que a gente tem falado até agora aqui no blog e compartilhar com vocês minha experiência “vida após a dança”.

Como vocês sabem (ou alguns de vocês), nossa escola existe desde 1999 e com muito orgulho posso dizer que somos uma das três escolas de dança que sobrevivem até hoje na nossa querida e pequena cidade de Vinhedo, cujo centro se resume em uma rua.

Vivi da dança do ventre desde que me conheci por gente. Passei por todas aquelas fases que só quem pratica a dança há pelo menos dez anos sabe: o auge da Lulu na casa de chá, Soraia Zaied, Amani, MP, a primeira pré-seleção. Depois vieram os shows: apresentações todo fim de semana, nos mais diversos tipos de lugares, vestidas com aquela roupinha pelada até tarde da noite, dançando para um publico agasalhado num frio de 10 graus; ficar escondida, porque nosso show era o presente de aniversário surpresa do aniversariante; fazer show o mês inteiro (quando não, o ano inteiro) mediante contratos com empresas e no final, tirar foto com pelo menos 200 pessoas. Uma vida de glamour, mesmo com as adversidades da profissão.

E falando da nossa querida Fallahi...

Nós aqui sempre tivemos um diferencial: as aulas exclusivamente particulares. Valorizamos o aprendizado, o bom gosto e a elegância nos melhores padrões que surgiam no mundo da dança. Nossas alunas toda vida andaram na linha e quando não o faziam eram convidadas a se retirar da escola; graças a esse tipo de coisa, ganhamos uma faminha de exigentes demais, porém, somos igualmente famosas pela excelente qualidade dos nossos trabalhos e temos o respeito de 90 por cento de nossas ex-alunas. Inclusive o de algumas que não saíram, vamos dizer assim, ”numa boa".

Uma coisa da qual me orgulho muito é de que nós três ( eu, minha mãe e minha irmã) sempre buscamos que nossas alunas fossem as melhores. Queríamos que elas dançassem no mesmo nível que o nosso e se possível, até melhor, mesmo sabendo que isso daria asinhas à algumas meninas que acharam que podiam voar sozinhas (essas, no fim, se arrebentaram no meio do caminho). O fato é que isso também resultou em bailarinas incríveis que foram elogiadas por públicos de outras cidades.

Em 2002, minha veia de coreógrafa começou a falar mais alto. Pegava uma música e já começava a imaginar todo mundo dançando igual. Fiquei pirada mesmo! Passava um tempão assistindo vídeo de sapateado irlandês, ginástica rítmica e tudo que pudesse enriquecer minha mente. Em 2006, coloquei a loucura em prática com um grupo de meninas e o resultado foi o primeiro lugar num concurso em São Caetano e um monte de novos contratos logo após. Antes disso, também passamos por aquela fase boa da dança onde íamos em eventos por aí, participávamos de concursos, éramos convidadas especiais de outras escolas e organizávamos excursões gigantes com toda a galera. Entrávamos num camarim e meninas de outras escolas nos reconheciam porque suas professoras mostraram vídeos nossos para elas… era muito bom!

Depois de resistir muito, em 2009 prestei o exame da KhanelKhalili e passei, como foi compartilhado com vocês. Mas ao contrario do que eu e todos podiam imaginar, aí se encerrou uma fase dentro de mim… e começou outra.

Uma semana depois do resultado da pré seleção, senti um vazio muito grande, era como se eu tivesse chegado no limite da minha profissão. Fiquei desestimulada em dar aulas, minha criatividade não andava tão boa e minha memória também não. Em março do ano passado a “crise dos 25” se abateu sobre minha pobre pessoa e decidi que precisava sair um pouco daquele mundo: resolvi trabalhar fora. Fui parar numa loja de roupa. Sim: lá fui eu trabalhar como vendedora num lugar onde permaneci por praticamente um ano. Mas não vou falar aqui de qualquer experiência que tive lá dentro porque nada do que eu disser vai acrescentar algo na vida de vocês.

No final cansei e como todo mundo falava que eu era uma ótima vendedora, ou que eu era muito simpática etc. e tal, resolvi tentar continuar nessa linha. É incrível como quem tem boca vai a Roma. Fiz quatro entrevistas, fui chamada nos quatro lugares e no final tive que escolher onde ia ficar. Acabei indo parar numa grande loja dessas que uma vez por ano abre quase de madrugada e todo mundo faz fila pra levar tudo mais barato… e nessa vida fiquei um mês.

Eu não achei que pessoas com mais de 25 anos pudessem se matar ( quase que literalmente ), se ofender diariamente e criar um ambiente hostil inclusive na frente dos próprios clientes. E para quê? Graças a uma pequena palavrinha que transforma muitos vendedores na pior raça que existe: META. E essa, decididamente, não era a minha “vibe”. Vender eletrônicos, então... nossa senhora!!!!! Era o mesmo que pedir para o meu gerente dançar Hassar Fazar de salto. Ou seja, uma catástrofe.

Acabei tirando a seguinte conclusão da minha própria experiência: durante dez anos da minha vida eu pude ser muito feliz. Eu tive essa oportunidade e escolhi viver assim. Sei que poucos tiveram a oportunidade que eu tive e isso, inclusive, causou desconforto em gente que achava que era muito fácil ganhar a vida dançando, inclusive gente do meu próprio sangue. Durante todos esses anos acredito que já passaram pela nossa escola por volta de 800 mulheres. Posso contar nos dedos quantas não eram legais, ou de caráter duvidoso. Em contrapartida, esse ultimo ano em que trabalhei fora conheci um número significativo de gente mau caráter, desrespeitosa, fútil, invejosa, burra, mesquinha, folgada, e mentirosa. Gente que acha que tem toda a experiência do mundo e não sabe lidar com dois funcionários, ou melhor, não sabe lidar com pessoas.

Uma coisa é fato, nós seres humanos estamos sempre em busca de alguma coisa dentro da gente que fala mais alto. E é uma coisa que às vezes, não ouvimos direito. Ou não entendemos. Mas a gente faz. Isso traz consequências boas e ruins. Eu mesma não me arrependo de nada do que fiz, mas nem tudo é valido. Eu não sou o tipo de pessoa que pega pensamentos soltos e frases profundas na internet pra dar indiretas nos outros, até porque isso demonstra uma falta de personalidade sem tamanho. E também não acredito que tudo que a gente passa de ruim nos acrescenta algo de bom; acho, inclusive, que torna algumas pessoas piores. Eu, graças a Deus, creio que sou uma pessoa master, blaster, super, ultra iluminada e hoje estou feliz da vida e de bem comigo mesma. Pode ser que amanhã lá esteja eu com alguma coreografia mirabolante ou fazendo trufa pra vender. Não importa. A gente só tem uma oportunidade pra ser feliz. Hoje eu acredito nisso.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

É cada uma que me aparece...

Não querendo dizer que manter um blog ativo seja coisa para desocupados, devo confessar não ter passado pela minha cabeça que eu precisaria de mais tempo do que eu previ para postar semanalmente aqui, minha gente! Afinal, não é sempre que o mundo Belly Dance está, digamos assim, rendendo um bom papo.

O problema é sentar a bunda e escrever, mesmo. Af, que preguiça de internet... é uma dureza (e uma pobreza) ter quer ir até uma Lan para me conectar virtualmente com o universo.

Carambolas. Dia desses, durante um solene momento de tentativa de improviso frustrada, uma aluna (provavelmente frustrada com a situação ) mostrou uma certa indignação com o fato de minha escola não fazer milhares de apresentações anuais assim como certas academias aqui da região de Campinas. Como estávamos em uma aula complexa (sem razão de ser, uma vez que, em teoria, uma aluna que está há seis anos ativa na dança do ventre tenha a obrigação de saber improvisar), não quis perder meu tempo dando maiores explicações, especialmente porque a memória dela é curta demais para não se lembrar das zilhões de apresentações importantes que ela fez conosco durante esse período em que esteve no curso. Ainda assim, quero colocar aqui alguns pontos que considero importantes uma aluna ter em mente antes de entrar para uma escola de dança do ventre.

Antes de mais nada: a intenção da futura bailarina é aprender ou se exibir? Se a opção escolhida for a primeira, é para ela que dirijo esse post.

Em minha escola, ministramos cursos individuais ou em duplas. Não suportamos aulas em grupo simplesmente pelo fato de não acreditarmos, tendo por base inúmeras experiências, ser possível aprender a dança na íntegra em uma sala repleta de mulheres tão diferentes umas das outras. Com aulas particulares, leva-se em média dois anos para que uma aluna tenha conhecimento dos movimentos básicos da dança e de alguns outros estilos (além do balézinho que nossa Belly Dance pede) e possa apresentar uma coreografia bonita, sem muitos erros, com o mínimo de elegância que a dança exige.

Quem pratica dança do ventre, sabe que o curso é longo e extremamente complicado. Para muitas mulheres, é um verdadeiro teste de resistência. Há milhares de coisas para aprender e a impressão que se tem como aluna é que nunca teremos coordenação, classe ou charme o suficiente.

Aí a mané desavisada que está lendo esse post para e pensa: mas como assim? Eu estou há uma ano no curso e já dancei com véu, com taça e com o "pandeiro de dedo" (acreditem, eu já ouvi isso)!

Minha querida. você não dançou com esses objetos todos, não! Você pegou a taça e fez meia dúzia de rebolados, brincou de toalha de mesa com o véu de seda que sua professora te obrigou a comprar e bateu os snujs um no outro enquanto se contorcia em um shimmie de corpo inteiro. Lamento muitíssimo... Considerando que muitos estilos diferenciados dentro da dança do ventre necessitem de um instrumento típico e ritmo adequado, pressupõe-se que a aluna deva, no mínimo, saber fazer um improviso básico, ter um pouco de noção de dança clássica, se divertir com uma musiquinha popular e ainda ter condições de coreografar um solinho de derbake antes de se meter a espertinha de enfiar um par de snujs na mão ou dar uma surra no pandeiro. "Mas peraí, tia: isso leva um tempão! Quando vou me apresentar, então?"

Criar uma coreografia decente, limpar movimentos, decorar tudo e dar graça ao negócio leva, na melhor das hipóteses, três meses. Um grupo necessita de seis, no mínimo, para poder apresentar uma coisa bacana de se ver. Uma apresentação anual, é mais do que suficiente para uma aluna. Caso contrário, se oportunidades de apresentações surgirem no meio do caminho, a coreografia normalmente deverá ser sempre a mesma, uma vez que uma estudante de dança leva um bocado de tempo para conseguir improvisar sem pagar um mico homérico. O grande problema é que leva-se mais algumas semanas para treinar a dança e lá se vão mais alguns meses de aula perdida. E vamos combinar que ainda assim, o que vemos de apresentações desastrosas por aí dói!

A pergunta é: vale a pena entrar em um curso difícil para dançar uma música por ano e deixar de lado a oportunidade de dizer para as pessoas que você é uma bailarina de dança do ventre e não uma palhaça de circo? Para minha aluna indignada, deixo o recado: flor, nossa escola tem três ou quatro apresentações anuais, isso se as alunas desejarem, você está careca de saber disso. Desde o ano passado, você participou de apenas uma, lembra? Se sua intenção é entupir seu orkut de fotos só para mostrar para os outros que você dança, faça por onde. Espante a preguiça e treine mais, economize na balada e mande confeccionar uma roupa decente assim como suas colegas de curso e seja mais participativa, afinal, eu não posso fazer milagre. Outra coisinha: se você, leitora, curte a idéia de dançar na praça, na festa da uva, no campo de futebol do bairro aqui do lado ou em restaurante fast food, realmente aqui não é seu lugar.

Bjunda na bunda.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Uma história de outrora - Parte 4

Paralelamente às aulas, as duas garotas frequentaram por um longo período as famosas apresentações de dança no reino Canecah e acabaram indiretamente envolvidas nesse mundo no qual muitas praticantes do Raks do Leste da Indonésia gostariam de estar. Descobriram, por exemplo, que não é exatamente os pés da Lilih que aspirantes a sacerdotisas da Canecah devem beijar se desejarem fazer parte da classe nobre dessa bolha. Primeiro porque, ao contrário do que imaginavam, a Lilih sabe muito bem que as mesmas pessoas que beijam seus pés hoje podem chutar-lhe o traseiro amanhã. Segundo, há muito tempo Lilih não tem mais o direito de escolher as sacerdotisas que deseja exibir ao povo nas mil e uma noites do reino Canecah.

As sacerdotisas que tem o direito de mostrar a arte do Raks do Leste da Indonésia para aqueles que frequentam o reino Canecah são razoavelmente numerosas e podem ser substituídas de tempos em tempos. Ouve-se em outros reinos que um dos requisitos básicos para tornar-se uma sacerdotisa Canecah é saber executar a dança sagrada muito bem, com a elegância e a classe que ela exige de suas praticantes. Bem, há controvérsias…

O fato é que as moças depararam-se com tipos muito diferentes de sacerdotisas. As mais velhas e experientes costumavam exibir performances de cair o queixo. As mais jovens, no entanto, preocupavam-se em mostrar tudo aquilo que aprenderam ao longo de seus estudos, esquecendo-se de que a essência é a verdadeira “alma do negócio”. Algumas caprichavam na “embalagem”; outras preferiam dar mais atenção àquilo que iriam dizer a seu público através de movimentos. Ainda assim, as vezes, assisti-las era como ver um vÌdeo de seu cantor preferido trinta vezes seguidas. A primeira é empolgante. Mas uma hora dá no saco.

As duas meninas perceberam que a palavra “diferente” não constava no vocabulário do reino da Lilih.

Continua…

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

LORD

Há alguns anos, minha irmã decidiu montar um grupo de dança diferente dos outros. Reuniu algumas alunas, escolheu uma música bacana e criou uma coreografia cheia de passinhos até então pouco utilizados em dança do ventre. Apresentou-se com ele pela primeira vez em um evento de nossa escola.

O sucesso foi tão grande que ela decidiu ampliar os horizontes e dois anos depois apostou em uma nova formação. Mais uma vez, aprovação total do público e outras meninas foram convocadas para a terceira formação do LORD, como ela decidiu chamar o grupo que tornaria-se a mais importante criação do Fallahi.

A idéia do nome surgiu graças a nossa paixão pelo grupo de sapateado irlandês Lord of the Dance, para nós, um exemplo de trabalho em grupo e sem sombra de dúvidas, uma das melhores companhias de dança do mundo.



Para fazer parte desse grupo, é preciso, antes de tudo, gostar dos trabalhos diferenciados que costumamos fazer na escola. Em segundo lugar, ter o mÌnimo possível de talento e força de vontade, porque ser uma simples aprendiz não basta. Além disso, È importante que todas as alunas saibam que não repetimos bailarinas: cada formação é única. Quem fez parte de uma, não fará parte de outra, exceto pelas professoras e por aquelas alunas que nos surpreendem de alguma forma. Seja pelo talento, pela disciplina, pela força de vontade ou simplesmente, por merecimento.

O grupo LORD, ao mesmo tempo que explora o lado "modernoso" da dança do ventre, ainda mantém algumas caracterÌsticas que se perderam com o passar do tempo e que aqui na escola consideramos essenciais na formação de uma bailarina. Suavidade nos movimentos de mãos, expressão sublime, afetação zero.



Conheço inúmeros grupos de dança do ventre, mas poucos são tratados com um terço do esmero que o nosso querido LORD é tratado aqui escola. E humildade! Professoras e alunas estão em pé de igualdade em todos os momentos da coreografia; não há preferidinhas e ninguém fica lá na frente "se achando". Mesmo com estilos diferentes, todas se adaptam sem traumas.

Infelizmente, ainda não foi possível participar de todos os eventos que gostaríamos. Muitas organizadoras exigem número de participantes superior a cinco e nossas formações não passam disso na maioria das vezes por uma simples questão de "controle de qualidade". Mais de oito membros exige, antes de qualquer coisa, profissionalismo.

Uma pessoa me disse que deverÌamos chamar bailarinas de fora se quiséssemos participar do evento dela porque menos de dez membros em um grupo não seria permitido. Para mim, isso não tem o menor cabimento. Não no caso do LORD. Talvez ela estivesse acostumada com as coisas feitas "nas coxas": grupos numerosos, coreografias desorganizadas, bailarinas de níveis diferentes em um mesmo grupo. Mas com um grupo como este, isso È simplesmente inaceitável.



Nosso LORD é único, por isso é tão especial. Acredito que toda escola deveria ter um grupo assim: diferente, bem coreografado, onde um dia todas as alunas teriam chance de poder participar desde que se dedicassem. Talvez essa seja uma das formas de estar sempre fazendo com que a dança não pare de evoluir sem perder qualidade.



Bju, bju

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Pré-seleção KK: eu passei!

Bom, gente, estou voltando aqui hoje não pra compartilhar minha felicidade por ter conseguido o certificado de padrão de qualidade da KK, mas para dividir com todas vocês (especialmente aquelas que pretendem fazer a prova) a experiência e contar certas coisas que ocorreram comigo durante essa jornada.

Em 2007 e 2008, fiz o curso de formação da Lulu e frequentei as aulas de nível avançado da Jade. Como todas podem imaginar, aquele é o território por onde passam pelo menos 50% das bailarinas que pretendem um dia dançar na KK ou serem aprovadas na pré. Quando enviei meu vídeo, não contei pra ninguém da turma; só minha irmã sabia e combinamos que íamos fechar o bico, afinal eu era nova lá e se não passasse ninguém nunca ficaria sabendo.

Naquele ano, quatro meninas do curso iam prestar. Três delas descobri por acaso, a outra era aluna da KK desde criança e estava muito segura de si. Tão segura que quando seu book ficou pronto, levou lá pra todo mundo ver e espalhou aos sete ventos que por estar prestando a pré as fotos deveriam estar perfeitas. Então ficou todo mundo babando em volta dela e naquele momento me senti do tamanho de uma formiguinha e querem saber porquê?

Bom, na preparação do material, temos que enviar 30 fotos profissionais. Boa parte das bailarinas fazem seu book com aquele fotógrafo famoso que cobra $$$ e o fato é que eu não tinha esse dinheiro. Tive que me virar. Fui no quintal da minha casa num dia de sol, minha mãe pegou a máquina digital de 1630, estendeu um véu azul no muro e lá fui eu fazer cara de bonita. Meu irmão melhorou a qualidade no computador porque não ia rolar photoshop e pimba! Fiquei muito satisfeita com o resultado. Quem quiser ver, me procura no orkut, tá lá no meu álbum.





Com meu vídeo foi a mesma coisa. Nossa filmadora é master passada da validade e precisa daquelas fitas, o que significaria que ainda teríamos que passar pra DVD. Resultado: filmadora ultra velha + fitinha + trabalhão pra passar pra DVD = a imagem que não ficou uma glória mas que no fim das contas ia ficar daquele jeito mesmo.

Agora o pior foi com meu curriculum. Essa mesma menina que ficou se gabando das fotos, contava pra todo mundo que tinha feito todos e os melhores workshops do universo. Ela fez mais workshops do que muita bailarina da KK. E adivinhem só: eu nunca fiz nenhum! Ai que dó. Meu curriculum tava cheinho, afinal, danço há dez anos. Mas workshops… nunca achei que valesse a pena. Muito caro, muito lotado, pra no final a gente sair com uma coreografia.

Para preencher a ficha de inscrição, não foi diferente. No espaço "quem foi sua professora principal", me danei. Sou auto-didata e é horrível colocar isso num currículum. Comecei a dançar em 1999 e fui me aperfeiçoando através de vídeos e shows até 2007, quando comecei a fazer aulas com a Lulu e ela me disse que havia uma ou duas coisas que eu precisava ficar de olho enquanto eu dançava. A Lulu é uma professora incrível e graças a ela minha dança evoluiu muito.

Por fim, enviei meu material com as fotos feitas no quintal, meu vídeo embaçado, sem nenhum workshop no currículum e totalmente auto-didata. Quando o resultado da primeira fase saiu eu já nem fazia mais aulas. Fui na lan-house com um fio de esperança de ver meu nome lá e não é que estava? E o melhor: a tal menina que se achava não tinha passado nem da primeira fase. Das quatro da turma, apenas eu e mais uma passamos. Ela continuou fazendo aulas e tendo todas as dicas mas acabou não passando da segunda fase. Eu tive que me virar sozinha, pra variar.

No dia da prova, eu sabia que tinha ido bem, a gente sente essas coisas. Improvisei 11 minutos de Hazar Fazar, do Wash ya Wash. Todos na banca estavam muito sorridentes e uma daquelas carinhas um dia me disse que eu era muito boa. Quando saí, e agora posso contar, a Rose (que dá uma mão pras meninas e também é bailarina) me disse que eu tinha dançado bem pra caramba, ganhei meu dia. Até chegar o resultado, o tempo não passava e eu já nem sabia se passaria também. Após a prova, li um e-mail da Lulu com os quesitos a serem avaliados e fiquei dura: dancei sem saber de nada, tudo porque esqueci de acessar o e-mail um dia antes. Só o que eu sabia era que minha maquiagem, meu cabelo e minha roupa estavam impecáveis e eu estava arrumadinha.



Eu já sabia que o resultado só sairia dia 5/11 e o discurso "não acredito que não passei" estava preparado. Mas no domingo, dia primeiro, entrei no meu orkut e lá estava o recado: "Paula, entra lá no site, nós conseguimos!". E nisso eu já tinha uns quinze recados me parabenizando. Na hora meu coração parou na boca. Entrei no site e estava lá minha carinha! Fiquei tão feliz que até chorei. Fiquei feliz por mim e por todas, especialmente pelas meninas do meu dia, nós fomos a maioria no resultado. No fim das contas, a outra menina que era da turma não passou.

O que eu quis passar com esse texto foi o seguinte: para enviar o material você precisa ter coragem, humildade e acreditar que seu trabalho é bom. Admita que há problemas em sua dança e estude com o que tiver a seu alcance. Mandar o vídeo pra pré é difícil mas é apenas uma preparação para tudo o que ainda virá pela frente.

… isso aÌ, meninas. Acreditem em si mesmas e boa sorte!


Paula Fallahi