A mais tradicional escola de Dança do Ventre da região de Campinas

A mais tradicional escola de Dança do Ventre da região de Campinas
Sejam bem vindos!
Aqui é um espaço dedicado à todos os seres pensantes do mundo belly dancer.
Leiam, discutam e compartilhem!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

É cada uma que me aparece...

Não querendo dizer que manter um blog ativo seja coisa para desocupados, devo confessar não ter passado pela minha cabeça que eu precisaria de mais tempo do que eu previ para postar semanalmente aqui, minha gente! Afinal, não é sempre que o mundo Belly Dance está, digamos assim, rendendo um bom papo.

O problema é sentar a bunda e escrever, mesmo. Af, que preguiça de internet... é uma dureza (e uma pobreza) ter quer ir até uma Lan para me conectar virtualmente com o universo.

Carambolas. Dia desses, durante um solene momento de tentativa de improviso frustrada, uma aluna (provavelmente frustrada com a situação ) mostrou uma certa indignação com o fato de minha escola não fazer milhares de apresentações anuais assim como certas academias aqui da região de Campinas. Como estávamos em uma aula complexa (sem razão de ser, uma vez que, em teoria, uma aluna que está há seis anos ativa na dança do ventre tenha a obrigação de saber improvisar), não quis perder meu tempo dando maiores explicações, especialmente porque a memória dela é curta demais para não se lembrar das zilhões de apresentações importantes que ela fez conosco durante esse período em que esteve no curso. Ainda assim, quero colocar aqui alguns pontos que considero importantes uma aluna ter em mente antes de entrar para uma escola de dança do ventre.

Antes de mais nada: a intenção da futura bailarina é aprender ou se exibir? Se a opção escolhida for a primeira, é para ela que dirijo esse post.

Em minha escola, ministramos cursos individuais ou em duplas. Não suportamos aulas em grupo simplesmente pelo fato de não acreditarmos, tendo por base inúmeras experiências, ser possível aprender a dança na íntegra em uma sala repleta de mulheres tão diferentes umas das outras. Com aulas particulares, leva-se em média dois anos para que uma aluna tenha conhecimento dos movimentos básicos da dança e de alguns outros estilos (além do balézinho que nossa Belly Dance pede) e possa apresentar uma coreografia bonita, sem muitos erros, com o mínimo de elegância que a dança exige.

Quem pratica dança do ventre, sabe que o curso é longo e extremamente complicado. Para muitas mulheres, é um verdadeiro teste de resistência. Há milhares de coisas para aprender e a impressão que se tem como aluna é que nunca teremos coordenação, classe ou charme o suficiente.

Aí a mané desavisada que está lendo esse post para e pensa: mas como assim? Eu estou há uma ano no curso e já dancei com véu, com taça e com o "pandeiro de dedo" (acreditem, eu já ouvi isso)!

Minha querida. você não dançou com esses objetos todos, não! Você pegou a taça e fez meia dúzia de rebolados, brincou de toalha de mesa com o véu de seda que sua professora te obrigou a comprar e bateu os snujs um no outro enquanto se contorcia em um shimmie de corpo inteiro. Lamento muitíssimo... Considerando que muitos estilos diferenciados dentro da dança do ventre necessitem de um instrumento típico e ritmo adequado, pressupõe-se que a aluna deva, no mínimo, saber fazer um improviso básico, ter um pouco de noção de dança clássica, se divertir com uma musiquinha popular e ainda ter condições de coreografar um solinho de derbake antes de se meter a espertinha de enfiar um par de snujs na mão ou dar uma surra no pandeiro. "Mas peraí, tia: isso leva um tempão! Quando vou me apresentar, então?"

Criar uma coreografia decente, limpar movimentos, decorar tudo e dar graça ao negócio leva, na melhor das hipóteses, três meses. Um grupo necessita de seis, no mínimo, para poder apresentar uma coisa bacana de se ver. Uma apresentação anual, é mais do que suficiente para uma aluna. Caso contrário, se oportunidades de apresentações surgirem no meio do caminho, a coreografia normalmente deverá ser sempre a mesma, uma vez que uma estudante de dança leva um bocado de tempo para conseguir improvisar sem pagar um mico homérico. O grande problema é que leva-se mais algumas semanas para treinar a dança e lá se vão mais alguns meses de aula perdida. E vamos combinar que ainda assim, o que vemos de apresentações desastrosas por aí dói!

A pergunta é: vale a pena entrar em um curso difícil para dançar uma música por ano e deixar de lado a oportunidade de dizer para as pessoas que você é uma bailarina de dança do ventre e não uma palhaça de circo? Para minha aluna indignada, deixo o recado: flor, nossa escola tem três ou quatro apresentações anuais, isso se as alunas desejarem, você está careca de saber disso. Desde o ano passado, você participou de apenas uma, lembra? Se sua intenção é entupir seu orkut de fotos só para mostrar para os outros que você dança, faça por onde. Espante a preguiça e treine mais, economize na balada e mande confeccionar uma roupa decente assim como suas colegas de curso e seja mais participativa, afinal, eu não posso fazer milagre. Outra coisinha: se você, leitora, curte a idéia de dançar na praça, na festa da uva, no campo de futebol do bairro aqui do lado ou em restaurante fast food, realmente aqui não é seu lugar.

Bjunda na bunda.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Uma história de outrora - Parte 4

Paralelamente às aulas, as duas garotas frequentaram por um longo período as famosas apresentações de dança no reino Canecah e acabaram indiretamente envolvidas nesse mundo no qual muitas praticantes do Raks do Leste da Indonésia gostariam de estar. Descobriram, por exemplo, que não é exatamente os pés da Lilih que aspirantes a sacerdotisas da Canecah devem beijar se desejarem fazer parte da classe nobre dessa bolha. Primeiro porque, ao contrário do que imaginavam, a Lilih sabe muito bem que as mesmas pessoas que beijam seus pés hoje podem chutar-lhe o traseiro amanhã. Segundo, há muito tempo Lilih não tem mais o direito de escolher as sacerdotisas que deseja exibir ao povo nas mil e uma noites do reino Canecah.

As sacerdotisas que tem o direito de mostrar a arte do Raks do Leste da Indonésia para aqueles que frequentam o reino Canecah são razoavelmente numerosas e podem ser substituídas de tempos em tempos. Ouve-se em outros reinos que um dos requisitos básicos para tornar-se uma sacerdotisa Canecah é saber executar a dança sagrada muito bem, com a elegância e a classe que ela exige de suas praticantes. Bem, há controvérsias…

O fato é que as moças depararam-se com tipos muito diferentes de sacerdotisas. As mais velhas e experientes costumavam exibir performances de cair o queixo. As mais jovens, no entanto, preocupavam-se em mostrar tudo aquilo que aprenderam ao longo de seus estudos, esquecendo-se de que a essência é a verdadeira “alma do negócio”. Algumas caprichavam na “embalagem”; outras preferiam dar mais atenção àquilo que iriam dizer a seu público através de movimentos. Ainda assim, as vezes, assisti-las era como ver um vÌdeo de seu cantor preferido trinta vezes seguidas. A primeira é empolgante. Mas uma hora dá no saco.

As duas meninas perceberam que a palavra “diferente” não constava no vocabulário do reino da Lilih.

Continua…

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

LORD

Há alguns anos, minha irmã decidiu montar um grupo de dança diferente dos outros. Reuniu algumas alunas, escolheu uma música bacana e criou uma coreografia cheia de passinhos até então pouco utilizados em dança do ventre. Apresentou-se com ele pela primeira vez em um evento de nossa escola.

O sucesso foi tão grande que ela decidiu ampliar os horizontes e dois anos depois apostou em uma nova formação. Mais uma vez, aprovação total do público e outras meninas foram convocadas para a terceira formação do LORD, como ela decidiu chamar o grupo que tornaria-se a mais importante criação do Fallahi.

A idéia do nome surgiu graças a nossa paixão pelo grupo de sapateado irlandês Lord of the Dance, para nós, um exemplo de trabalho em grupo e sem sombra de dúvidas, uma das melhores companhias de dança do mundo.



Para fazer parte desse grupo, é preciso, antes de tudo, gostar dos trabalhos diferenciados que costumamos fazer na escola. Em segundo lugar, ter o mÌnimo possível de talento e força de vontade, porque ser uma simples aprendiz não basta. Além disso, È importante que todas as alunas saibam que não repetimos bailarinas: cada formação é única. Quem fez parte de uma, não fará parte de outra, exceto pelas professoras e por aquelas alunas que nos surpreendem de alguma forma. Seja pelo talento, pela disciplina, pela força de vontade ou simplesmente, por merecimento.

O grupo LORD, ao mesmo tempo que explora o lado "modernoso" da dança do ventre, ainda mantém algumas caracterÌsticas que se perderam com o passar do tempo e que aqui na escola consideramos essenciais na formação de uma bailarina. Suavidade nos movimentos de mãos, expressão sublime, afetação zero.



Conheço inúmeros grupos de dança do ventre, mas poucos são tratados com um terço do esmero que o nosso querido LORD é tratado aqui escola. E humildade! Professoras e alunas estão em pé de igualdade em todos os momentos da coreografia; não há preferidinhas e ninguém fica lá na frente "se achando". Mesmo com estilos diferentes, todas se adaptam sem traumas.

Infelizmente, ainda não foi possível participar de todos os eventos que gostaríamos. Muitas organizadoras exigem número de participantes superior a cinco e nossas formações não passam disso na maioria das vezes por uma simples questão de "controle de qualidade". Mais de oito membros exige, antes de qualquer coisa, profissionalismo.

Uma pessoa me disse que deverÌamos chamar bailarinas de fora se quiséssemos participar do evento dela porque menos de dez membros em um grupo não seria permitido. Para mim, isso não tem o menor cabimento. Não no caso do LORD. Talvez ela estivesse acostumada com as coisas feitas "nas coxas": grupos numerosos, coreografias desorganizadas, bailarinas de níveis diferentes em um mesmo grupo. Mas com um grupo como este, isso È simplesmente inaceitável.



Nosso LORD é único, por isso é tão especial. Acredito que toda escola deveria ter um grupo assim: diferente, bem coreografado, onde um dia todas as alunas teriam chance de poder participar desde que se dedicassem. Talvez essa seja uma das formas de estar sempre fazendo com que a dança não pare de evoluir sem perder qualidade.



Bju, bju

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Pré-seleção KK: eu passei!

Bom, gente, estou voltando aqui hoje não pra compartilhar minha felicidade por ter conseguido o certificado de padrão de qualidade da KK, mas para dividir com todas vocês (especialmente aquelas que pretendem fazer a prova) a experiência e contar certas coisas que ocorreram comigo durante essa jornada.

Em 2007 e 2008, fiz o curso de formação da Lulu e frequentei as aulas de nível avançado da Jade. Como todas podem imaginar, aquele é o território por onde passam pelo menos 50% das bailarinas que pretendem um dia dançar na KK ou serem aprovadas na pré. Quando enviei meu vídeo, não contei pra ninguém da turma; só minha irmã sabia e combinamos que íamos fechar o bico, afinal eu era nova lá e se não passasse ninguém nunca ficaria sabendo.

Naquele ano, quatro meninas do curso iam prestar. Três delas descobri por acaso, a outra era aluna da KK desde criança e estava muito segura de si. Tão segura que quando seu book ficou pronto, levou lá pra todo mundo ver e espalhou aos sete ventos que por estar prestando a pré as fotos deveriam estar perfeitas. Então ficou todo mundo babando em volta dela e naquele momento me senti do tamanho de uma formiguinha e querem saber porquê?

Bom, na preparação do material, temos que enviar 30 fotos profissionais. Boa parte das bailarinas fazem seu book com aquele fotógrafo famoso que cobra $$$ e o fato é que eu não tinha esse dinheiro. Tive que me virar. Fui no quintal da minha casa num dia de sol, minha mãe pegou a máquina digital de 1630, estendeu um véu azul no muro e lá fui eu fazer cara de bonita. Meu irmão melhorou a qualidade no computador porque não ia rolar photoshop e pimba! Fiquei muito satisfeita com o resultado. Quem quiser ver, me procura no orkut, tá lá no meu álbum.





Com meu vídeo foi a mesma coisa. Nossa filmadora é master passada da validade e precisa daquelas fitas, o que significaria que ainda teríamos que passar pra DVD. Resultado: filmadora ultra velha + fitinha + trabalhão pra passar pra DVD = a imagem que não ficou uma glória mas que no fim das contas ia ficar daquele jeito mesmo.

Agora o pior foi com meu curriculum. Essa mesma menina que ficou se gabando das fotos, contava pra todo mundo que tinha feito todos e os melhores workshops do universo. Ela fez mais workshops do que muita bailarina da KK. E adivinhem só: eu nunca fiz nenhum! Ai que dó. Meu curriculum tava cheinho, afinal, danço há dez anos. Mas workshops… nunca achei que valesse a pena. Muito caro, muito lotado, pra no final a gente sair com uma coreografia.

Para preencher a ficha de inscrição, não foi diferente. No espaço "quem foi sua professora principal", me danei. Sou auto-didata e é horrível colocar isso num currículum. Comecei a dançar em 1999 e fui me aperfeiçoando através de vídeos e shows até 2007, quando comecei a fazer aulas com a Lulu e ela me disse que havia uma ou duas coisas que eu precisava ficar de olho enquanto eu dançava. A Lulu é uma professora incrível e graças a ela minha dança evoluiu muito.

Por fim, enviei meu material com as fotos feitas no quintal, meu vídeo embaçado, sem nenhum workshop no currículum e totalmente auto-didata. Quando o resultado da primeira fase saiu eu já nem fazia mais aulas. Fui na lan-house com um fio de esperança de ver meu nome lá e não é que estava? E o melhor: a tal menina que se achava não tinha passado nem da primeira fase. Das quatro da turma, apenas eu e mais uma passamos. Ela continuou fazendo aulas e tendo todas as dicas mas acabou não passando da segunda fase. Eu tive que me virar sozinha, pra variar.

No dia da prova, eu sabia que tinha ido bem, a gente sente essas coisas. Improvisei 11 minutos de Hazar Fazar, do Wash ya Wash. Todos na banca estavam muito sorridentes e uma daquelas carinhas um dia me disse que eu era muito boa. Quando saí, e agora posso contar, a Rose (que dá uma mão pras meninas e também é bailarina) me disse que eu tinha dançado bem pra caramba, ganhei meu dia. Até chegar o resultado, o tempo não passava e eu já nem sabia se passaria também. Após a prova, li um e-mail da Lulu com os quesitos a serem avaliados e fiquei dura: dancei sem saber de nada, tudo porque esqueci de acessar o e-mail um dia antes. Só o que eu sabia era que minha maquiagem, meu cabelo e minha roupa estavam impecáveis e eu estava arrumadinha.



Eu já sabia que o resultado só sairia dia 5/11 e o discurso "não acredito que não passei" estava preparado. Mas no domingo, dia primeiro, entrei no meu orkut e lá estava o recado: "Paula, entra lá no site, nós conseguimos!". E nisso eu já tinha uns quinze recados me parabenizando. Na hora meu coração parou na boca. Entrei no site e estava lá minha carinha! Fiquei tão feliz que até chorei. Fiquei feliz por mim e por todas, especialmente pelas meninas do meu dia, nós fomos a maioria no resultado. No fim das contas, a outra menina que era da turma não passou.

O que eu quis passar com esse texto foi o seguinte: para enviar o material você precisa ter coragem, humildade e acreditar que seu trabalho é bom. Admita que há problemas em sua dança e estude com o que tiver a seu alcance. Mandar o vídeo pra pré é difícil mas é apenas uma preparação para tudo o que ainda virá pela frente.

… isso aÌ, meninas. Acreditem em si mesmas e boa sorte!


Paula Fallahi



domingo, 6 de setembro de 2009

Contagem regressiva para a pré-seleção (por Paula Fallahi)

Bom, hoje estou aqui para falar um pouco sobre o que são os meses que antecedem a segunda fase da pré-seleção.
Desde fevereiro só tenho feito duas coisas: estudar músicas clássicas e assistir vídeos. Muitos! E é engraçado como uma coisa leva a outra. Eu mesma sempre senti que faltava algo em minha dança, mas só quando você é obrigada a parar para estudar de verdade é que descobre que não sabia nada…
Quando o resultado saiu e vi meu nome lá, nem acreditei. Primeiro, porque depois de fazer aulas com praticamente metade das professoras que dançam na casa de chá, tive a comprovação de que a dança do ventre é um aprendizado eterno. Começa lá do pé que fica meio torto pra fazer um chassê e eu nunca tinha reparado, até o queixo que tem que ficar posicionado de forma correta pra fazer um redondo grande. Hoje, assistindo ao vídeo que mandei (que por sinal gravei em julho de 2008), dá para perceber como estudar faz a gante crescer.
Mas só coloquei dois na net: a popular cantada (que parece que eu tenho 14 anos quando, na verdade, tenho 24) e o solo de derbake, que foram os que mais gostei. Minha irmã gostou muito da clássica, porém, imaginem um côco com roupinha de dança. Sou eu, dura pra caramba!










Até o mês passado, fiz alguns esquemas de estudos. Em um deles, improvisava, filmava e assistia. Ficava uma bosta. Eu me detestava! Minha irmã assistia e no final eu falava: “e aí?” e ela completava com “então…”. Bom, foi quando percebi que o buraco era um pouco mais fundo do que eu pensava. Primeiro, porque muitas mulheres acreditam que ser magra é uma maravilha. Errado, minhas filhas. Eu tenho que fazer uma força do caramba para o meu quadril marcar as batidas da música. Pra vocês terem uma idéia, na avaliação que recebi da primeira fase, a Lulu disse a seguinte coisa: “Então, como você é muito magrinha e muito pequenininha, o seu movimento sai muito seco mesmo, seria melhor em tal parte colocar uma reverberação…”. E vocês não acreditam, mas eu fiz! Me matei de fazer shimmie, juro!Huashuahuahshua!!!!!!!!!!!!!!! Mas essa fase passou e já me conformei. A Aziza, por exemplo, é uma excelente bailarina e só quando fui fazer aula com ela que descobri ser poucos centímetros maior que eu além de ser magrinha.






Agora, estou naquele período em que parece que não dá pra fazer mais nada. Musicas clássicas são lindas, mas quando chegam a 15 minutos dão medo. Fico pensando que minha criatividade vai acabar no sétimo minuto e a banca vai pensar “tá, e agora?” e eu “socorro, me tirem daqui!”. Ainda assim, para quem pensa em mandar o vídeo, eu garanto uma coisa: vale muito a pena. Eu nem sei se vou passar dessa segunda fase, mas o que acontece até lá é uma experiência que não tem explicação. É uma rotina de estudos, de conhecer pessoas, baixar músicas e achar que você é péssima (faz parte). E quando você pensa que já aconteceu tudo e você já baixou todas as músicas e está totalmente preparada, alguém chega e pergunta se você já tem a série “Belly Dance e o massacre da serra elétrica vol. 1 ao 7”, na qual todas as músicas têm mais de dez minutos ou em um dos volumes só tem duas músicas com duas horas e trinta e seis minutos cada uma e novamente você pensa “morri”.
Bom, ainda vamos ter a segunda parte dessa história, mas só em novembro. Independente do resultado, vou contar sobre certos aspectos da pré que acabam desencorajando muita bailarina. Fatores que, por sinal, quase fizeram com que eu não participasse porque se não fosse de “tal jeito”, ou não se não dançasse de “tal forma”, não daria certo. Mas essa é uma outra e muito loonga história.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Uma história de outrora – parte 3

A Angelina era uma mestra bem novinha e aparentemente uma das preferidas do reino Canecah; as irmãs plebéias acharam relativamente estranho que a mestra Lilih tivesse deixado um grupo avançado como o delas com uma sacerdotisa que mal havia deixado as fraldas… bem, antes ela do que a ruiva arrogante, assustadora e branquela que tinha em todos os reinos a péssima fama de se achar a melhor de todas as sacerdotisas!

Claramente, esta nova mestra desempenhava muito bem a dança sagrada; no entanto, todos deveriam saber que não se deve mostrar ao padre como rezar uma missa. As meninas perceberam que a moça não sabia exatamente o que deveria fazer com aquele grupo de discípulas e seguiu aula após aula ensinando a elas o beabá do raks do leste da Indonésia. Um fiasco.

Desenganadas e sentindo-se um pouco enroladas, as moças resolveram seguir o conselho de sua colega Fonzie, que também tomava aulas com outra mestra do reino e tanto fez que conseguiu convencê-las a trocar de turma. Ela dizia que sua mestra, a mais importante depois da Lilih, era simplesmente fantástica. Além de dançar incrivelmente, ministrava aulas maravilhosas. Suas discípulas simplesmente a idolatravam. As jovens, cientes da fama dessa mestra, nem precisaram pensar muito: uma semana depois lá estavam as duas felizes e empolgadas na sala de sua nova mentora, a professora Gada.

Assim como Lilih, Gada era desbocada e falava pelos cotovelos. Inventava palavras engraçadas para definir passos, fazia coisas doidas durante a aula, brincava com as alunas. Ensinava lindas sequências de dança, explicava novas formas de executar movimentos e até palavras importantes da língua nativa do Raks as meninas aprenderam a falar com ela. As outras discípulas, acostumadas com o comportamento da mestra, divertiam-se com suas estripulias e faziam as garotas sentirem-se à vontade como normalmente não aconteceria.Finalmente as jovens pareciam haver se encontrado naquele lugar que, aos poucos, começaria a se revelar mais inapropriado do que elas imaginavam…

Continua…

quinta-feira, 23 de julho de 2009

BBDS – Barangas Belly Dancers

Dia desses estávamos eu e minha irmã procurando bailarinas bacanas e de preferência desconhecidas para dar uma estudada. Essas são, sem sombra de dúvida, as melhores: sempre se tem algo a aprender com elas, às vezes muito mais do que com algumas figurinhas famosas de nosso meio.
Como nem tudo é perfeito, acabamos, no fim das contas, dando de cara com umas, hã, pseudo-bailarinas (engraçadíssimas, por sinal) "se achando". Ai tristeza! Umas fofas sem a menor noção de como se vestir, se maquiar, arrumar os cabelos ou como se comportar durante a dança. Utilizam as piores músicas, os piores passos, participam de concursos, mandam vídeo para a pré-seleção e muitas ainda dão aula! Deus me livre…
Ficamos tão passadas (e quase em coma profundo após tantas risadas) que decidimos criar uma lista de características para que possamos reconhecer uma boa baranga belly dancer (apontei as dez mais óbvias, logicamente há mais trocentas):
1 – roupas entupidas de lantejoulas (ou fantasia de carnaval) porque, segundo as BBDS, do palco o brilho chama mais atenção;
2 – saia na altura do tornozelo, vai que a baranga tropeça e cai;
3 – em shows e eventos, performance de derbake é lei. Afinal, para uma boa baranga, arrebentar o quadril é a única forma de chamar a atenção do público. Para bem ou para mal;
4 – se o quadril é fraquinho, Tony Mouzayek na veia. Que baranga não vibra ao som de Habibi ya Aini na voz do Daniel das Arábias?
5 – postura zero. Baranga que é baranga dança feito o Corcunda de Notre-Dame grávido de cinco meses;
6 – no orkut, facinho reconhecer: fotinho cheia de pose com roupinha de dança… ao lado da máquina de lavar;
7 – falando em pose, aquela típica com bracinhos pra cima e mãozinhas juntas tipo castelinho denuncia qualquer baranga;
8 – ainda no orkut, descrição do perfil: "dançarina" do ventre (ou o que é pior, odalisca);
9 – pose de castelinho em meio às pirâmides do Egito. Tudo graças ao photoshop e ainda com direito a recorte mal feito ao redor da foto (baranga que é baranga não dispensa montagens mal-feitas);
10 – essa é típica das BBDS: fazer algumas aulas, aprender o básico e sair por aí ensinando e se intitulando professora. Já perceberam como só as barangas se acham?
Como deu para perceber, utilizo o termo "baranga" de uma forma um pouco mais abrangente, não apenas ressaltando a parte física como o termo parece sugerir. A "baranguice", como costumamos dizer aqui na escola, vai muito além de dançar com véu wings para disfarçar a péssima bailarina que se esconde por trás dele…